Diário do Dr.Bigodinho Talharetti

Bem vindo ao Blog do Dr. Bigodinho, Aqui, tudo sobre sua evolução e aprendizados.

Ô Ermelindo…..

Olá,

Antes de tudo, agradeço a gentileza dos amigos de continuarem postando comentarios e gostando das visitas minhas ao Ermelindo. Logo colocarei fotos do trabalho. Ontem (18/10) fomos para o Hospital para mais uma labuta. O tempo estava meio feio (pra não falar “TOTALMENTE”, rsss) mas os animos estavam ótimos. Ao adentrarmos a porta, as pessoas de sempre, mas novas esperanças de alegria no ar. Sabe, sempre tenho aquela impressão ansiosa de: “Como será hoje?” ou “Espero não fazer nem falar besteira!(no mal sentido)”. Mas tudo é esquecido quando o Dr. entra em ação: A transformação de uma pessoa com suas dificuldades diárias, desafios, reclamações e imperfeições dão lugar a uma criatura que, antes pedinte das ajudas e das respostas da vida, torna-se um doador de esperanças e alegria aqueles que estão alí muitas vezes com a esperança perdida pela “perda” de um ente querido. Quando pinto meu rosto, até ai a coisa flui normalmente, mas sinto mesmo é quando coloco o óculos sobre o nariz, e começo com um sorriso bem largo dando boas vindas a verdadeira razão de viver que é trabalhar para amenizar um pouco que seja, a vida alheia.

Logo de início, uma barra pesada…Algumas pessoas acabaram de chegar e fomos lá alegra-las, mas estranhamos no caminho a expressão deles. Nos preparamos, pois não podiamos virar as costas e nem queríamos, afinal estamos lá para isso. Era um caso de falecimento. Lamentamos o ocorrido, e conversamos um pouco; uma senhora a quem nos dirigimos esboçou um sorriso, compreendendo nosso trabalho. Isso animou, pois ela recebeu um pouco de nossa energia. Saímos sem alarde, de maneira respeitosa.

Partimos em sequencia aos quartos.

Reencontramos amigos e , confesso fico abismado o como as pessoas esperam para serem atendidos. Havia algumas pessoas acamadas com espera de 4 MESES por uma cirurgia…um caso mais agravante para um paciente que tinha esperança de operar no dia, acabou tendo de esperar mais por causa de um cancelamento. Como será que isso seria refletido no organismo do paciente? A tristeza de você poder sair dali ser deixada mais algumas semanas pra depois, tendo de aguentar a dor e tomar remédios enquanto a vida está la fora o esperando? Inacreditável. Isso no meu interior foi dificil de digerir. Por isso existimos, por isso pessoas vestidas de palhaço/médico fazem esse trabalho, mas vendo o lado bom da coisa, conseguimos brincar e alegrar os pacientes fazendo-os esquecer tão dificil momento. Os casos eram identicos nas salas seguintes. O dia prometia ser bem dificil. Mas de repente entramos em um quarto onde havia um casal….esse quarto valeu o dia, aliás a noite. Eram duas pessoas ja passando dos 50 anos e eram 27 anos de casamento vividos. Mas que amor tão lindo (esqueçemos o lado piegas desta frase quando encontramos algo real a nossa frente e entendemos que não há melhor frase que se encaixe nisso, é sério!!!) Apesar da operação lateral a senhora tinha de ficar numa posição que não dava pra ver a tv, mas seu marido ficou em frente a ela para que ela pudesse vê-lo e ficar conversando. Se beijaram varias vezes, rimos bastante, ganharam narizes…foi uma festa mesmo. Saímos reabastecidos e partimos para outro quarto. Esse também de uma alegria enorme. Mas percebi um certo pingo de tristeza e descobrimos que era porque uma das pacientes (eram dois leitos por quarto) iria operar e a sua companheira de quarto estava no dia anterior chorando por que iria fica só… Que coisa né? E tem pessoas que preferem quartos com ninguém do lado. Como pode isso? Foi criado um vinculo não apenas de amizade mas de esperanças onde um incentiva o outro atraves da alegria e da convicção que essa simbiose cria entre as pessoas num momento de dificuldade. Isso é muito importante e deveria ser melhor estudado pela medicina e psicologia. Brincamos, dançamos e dizemos “até logo”. Na portaria brincamos um pouco mais e partimos.

O que espero aprender com isso tudo?

A valorização de nossos momentos só se percebe através do auxilio aqueles que convivem ao nosso redor. Pensamos em ter uma vida material melhor, e isso é justo e louvável, mas sem a ajuda ao desconhecido que nos pede “um tempo ao menos de atenção”, essa “vida melhor” perde todo o sentido.

“Quero uma casa propria!” Num hospital sabemos que a vida nos ensina que nem nosso corpo nos pertence.

“Quero um carro ultimo tipo!” Vemos pessoas com automoveis cujo valor compraria um bairro inteiro de casas, e são mais infelizes que pessoas que andam em cadeiras de roda, muletas ou nem sequer têm esses recursos.

“Quero comer do bom e do melhor!” E sempre nos salvamos da fome com um prato de feijão e um pedaço de pão e nunca com caviar.

Pensem nisso antes de deixarem de valorizar a vida.

Beijo no coração de todos e mais uma vez obrigado a ‘Dra. Tortelina Bonita’ pela força e companhia no trabalho.

outubro 19, 2006 Publicado por | Uncategorized | 1 Comentário

   

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